terça-feira, 1 de março de 2016

«Modistas e Cabeleireiros (Século XIX)», de Pinto de Carvalho (Tinop)




Publicado em 2008, Modistas e Cabeleireiros é o 23º livro da colecção Ora e Outrora. Escrita por Tinop (pseudónimo de Pinto de Carvalho), esta obra apresenta-nos as modistas e os cabeleireiros, sob um olhar arguto, lapidar e pitoresco. Pode ser encomendada através do endereço electrónico apenaslivros2@gmail.com por 2,82 euros mais portes de envio.

Eis alguns excertos:

«Antes da Revolução Francesa, D. Maria I e D. Carlota Joaquina faziam vir os paniers de cour e paniers de robe da modista parisiense Desmarets. Os vestidos de amazona para D. Maria I eram modelados pelos de Maria Antonieta.»

«O Pina Manique tentou pôr embargos ao laconismo da vestidura feminina e expediu um aviso aos Corregedores dos Bairros, proibindo que as modistas confeccionassem as toilettes pelos figurinos parisienses, sob pena de prisão no castelo de S. Jorge.»

«Entre as antigas lojas de modas, sobressaiam o Silva das Modas, no Pote das Almas, a Califórnia, à esquina do Rossio e da Betesga, e o Monte de Oiro, à esquina do Chiado e da Rua do Carmo.»

A segunda parte do livro é dedicada ao cabeleireiros. Na História apresentam-se vários exemplos: Mr. Beloné (cabeleireiro do infante D. Manuel), Mr. Lafontaine, especialista nas cabeleiras de seis andares de bucles que ornamentavam a cabeça de D. Carlota Joaquina. 


 

«Os pisa-flores de 1801 sujeitavam os seus topetes às prestezas manuais de José Henriques da Silva, cabeleireiro do barão de Quintela, assistente no 3º andar do prédio nº 62 moderno, do Chiado. (…)»

«Encontramos um cabeleireiro histórico em Manuel Lopes de Carvalho, barbeiro e amigo de Bocage, estabelecido, de 1791 até 1820, na loja nº 41 moderno do Chiado, junto à Rua Ivens, loja ainda hoje ocupada por uma barbearia. O dicaz Manuel Maria pagava-lhe um vintém, preço da época, por cada barbadela e flagelava-o com os seus rasgos satíricos.»


Jornalista de profissão, João Pinto de Carvalho (1858-1930), que utilizou o pseudónimo de Tinop, foi um dos sócios fundadores do grupo «Amigos de Lisboa» e um dos grandes estudiosos dos costumes de Lisboa entre os séculos XVII e XIX. As suas investigações olisipográficas constituem, ainda hoje, referências incontornáveis.

Dirigida por Fernanda Frazão, a Colecção «Ora e Outrora» foi uma das primeiras colecções da Apenas Livros. Tem a finalidade de dar a conhecer textos de autores portuguesas injustamente esquecidos e outros que não se inserissem em colecções específicas.

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